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Vanessa Souza de Araújo
É comum em consultório fonoaudiológico, familiares levarem seus filhos
com a queixa de atraso de linguagem, associado a distúrbios psicomotores
ou de comportamento. Depois de inúmeras sessões de avaliação para apontar
um diagnóstico, o fonoaudiólogo não encontrando dados suficientes que
indiquem a causa dos sintomas, solicita exames complementares e avaliações
neurológicas. Apesar de realizarem exames modernos como tomografia computadorizada,
EEG, e ressonância magnética, alguns casos, ainda assim, permanecem sem
um diagnóstico preciso . Atualmente já se sabe que a causa mais freqüente
da associação Atraso de fala/ hiperatividade é a SDA (Síndrome do Déficit
de Atenção), causada por uma imaturidade neurológica, mais precisamente
na Formação Reticular . Ainda assim, segundo o Dr. Vicente J. A. Ferreira,
a detecção da SDA é considerada difícil por alguns neuropediatras pois
estão mais acostumados a avaliar grandes encefalopatias, e encontram dificuldades
em examinar objetivamente pacientes que apresentam "Distúrbios menores".
Sem o diagnóstico exato, cabe ao fonoaudiólogo lançar mão de teorias e
técnicas que julgar necessárias e úteis, numa tentativa - muitas vezes
- exaustivas para conseguir um saldo positivo no prognóstico do tratamento,
ou ir em busca de alternativas através de pesquisas que visam a elucidação
de tais casos.
Sabendo-se que a SDA, pode ser encontrada tanto em indivíduos normais
quanto em indivíduos que apresentam retardos, síndromes e comprometimentos
neurológicos, dificulta-se ainda mais diagnosticar a SDA, pois existem
afecções que em muito se assemelham ao quadro clínico descrito principalmente
quanto ao aspecto Hiperatividade, por exemplo: Psicose infantil ou autismo.
De posse de um diagnóstico mais preciso e diretivo, o fonoaudiólogo além
de trabalhar em bases mais sólidas, terá mais condições de discriminar
hipótese da SDA em seus futuros pacientes, baseando-se em características
e sinais que serão apontados nesta pesquisa, após o estudo de cada caso
pesquisado. Em consultórios, o terapeuta tornará a sua terapia do portador
da SDA cada vez mais direcionada e com maiores conhecimentos para orientar
a conduta de pais e professores, que o auxiliaram no tratamento.
Sabendo reconhecer a hipótese da SDA, o profissional poderá auxiliar e
orientar o trabalho das famílias e da escola que possuem crianças portadoras
da SDA, já que estas serão diagnosticadas e trabalhadas precocemente,
atenuando o quanto antes o quadro (pois se sabe que a maturação neurológica
se dá por volta dos 10 anos de idade). O trabalho deverá ser feito contando
com uma equipe interdisciplinar através de terapias. Pois não adianta
submeter o paciente a tratamento medicamentoso - salvo nos casos em que
a hiperatividade e desatenção são tão graves que inviabilizem o trabalho
dos terapeutas. Nas escolas deverão se aplicadas técnicas pedagógicas
especializadas, e classes adaptadas com poucos alunos e poucos estímulos.
Diante de diagnósticos mal definidos ou confusos, o que é bastante comum
em Minas Gerais, ao se tratar de crianças com atraso de linguagem, hiperatividade,
e distúrbio de comportamento, o que se supõe é que há muitos casos de
crianças com SDA ainda não identificado por subestimação e desconhecimento
da incidência da síndrome por falta de sinais características da patologia
desconhecida
A caracterização da SDA ( Síndrome do Déficit de Atenção), antes nomeada
de DCM (Disfunção Cerebral Mínima), se dá pela desatenção . A capacidade
de mantermos a atenção em um determinado estímulo é o resultado da ação
de um sistema especial localizado no tronco cerebral denominado Formação
Reticular. Pela sua localização todo estímulo que vem ou vai para o encéfalo
passa pela Formação Reticular. Sendo assim, ela é responsável pela filtração
dos estímulos que somos acometidos a todo instante, determinando o que
deve atingir o córtex tornando-os conscientes, e neutralizando aqueles
que não devem interferir na função cortical.
É no primeiro ano de vida que a Formação Reticular demonstra sua capacidade
de seleção de estímulos, e a manter a atenção em um só objeto observando
suas características. Ao decorrer do tempo, com a maturação do Sistema
Nervoso, a criança vai desenvolvendo seu aprendizado se há uma boa estimulação
e alimentação. Porém algumas crianças não atingem essa maturação da Formação
Reticular no momento e velocidade esperada desenvolvendo um quadro de
déficit de atenção, causando uma série de outros sintomas.
A SDA é um conjunto de sintomas e sinais (e não uma doença) que pode ser
encontrada associada tanto nas crianças normais quanto naquelas portadoras
de lesões cerebrais, síndromes ou retardos mentais. Algumas desaparecem
ou suavizam com o passar do tempo sem serem submetidas à tratamento. Mas
a maioria dos sintomas nunca desaparecem, apenas diminuem, acarretando
na criança dificuldades múltiplas de aprendizado, além das marcas psicológica
. A demora da maturação compromete o SNC como um todo, e em conseqüência
podemos citar: desatenção, hiperatividade, atraso na aquisição da linguagem,
sincinesias, distúrbios no equilíbrio e na coordenação motora, dispraxias,
taquilalia, trocas e omissões de fonemas na fala -dependendo da região
da encefálica que apresenta a imaturidade. Devido tais sintomas a criança
geralmente apresenta distúrbios sérios de comportamento, levando à desconfortos
familiares, além das dificuldades escolares, que são apontadas como "falta
de inteligência", o que não é causada pela SDA.
Como é praticamente impossível submeter crianças portadoras de SDA em
um ENC (Exame Neurológico Convencional) - o que também pouco contribuiria
para o diagnóstico - se faz fundamental além da avaliação de hiperatividade
realizada por fonoaudiólogo ou psicólogo, fazer o ENE (Exame Neurológico
Evolutivo), que consta provas planejadas para detectar anormalidades motoras
e sensitivas, sendo elas: Equilíbrio Estático e Dinâmico, Coordenação
apendicular, Persistência motora, Sensibilidade e Gnosias. É a partir
daí que podemos diagnosticar com segurança a Síndrome do Déficit de Atenção.
BIBLIOGRAFIA
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HARF, P. Stokoe - Expressão
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ZORZI, J. Luiz - Linguagem e
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